Cartão de Crédito – Herói ou Vilão?

Cartão de Crédito – Herói ou Vilão?

28 Novembro, 2018 0 Por O Tostão

Não existindo em Portugal uma cultura de utilização de cartão de crédito como nos EUA, este produto financeiro é visto de formas bastante distintas por cada pessoa. Se para uns é visto como uma óptima ferramenta que possibilita maior liquidez no que toca à disponibilidade para fazer face às despesas correntes, para outros o cartão de crédito é algo a fugir de sete pés. Afinal, em que ficamos? O cartão de crédito é um herói ou um vilão no nosso dia a dia?

Afinal o que é ao certo um Cartão de Crédito?

O cartão de crédito é acima de tudo um produto financeiro, e é isso que tem de ter sido em consideração. Como qualquer produto financeiro disponibilizado por um banco ou financeira é fundamental perceber todo o seu funcionamento. No que toca a cartões de créditos, as opções são muitas e diferem de instituição para instituição, como tal antes de optar por um é necessário ter uma visão global dos produtos que o mercado oferece.

De um modo geral os cartões de crédito funcionam de forma simples. Fazemos uma compra com o cartão de crédito que tem um valor de crédito pré-aprovado (plafond), possibilitando a compra ainda que não tenhamos esse valor disponível para efectuar a transacção. Posteriormente pagamos esse valor consoante a modalidade escolhida/contratada que pode ou não envolver custos adicionais.

 

Vejamos os exemplos abaixo:

  • Temos um cartão de crédito com um plafond de 1500€ e compramos um smartphone no valor de 300€. O cartão de crédito permite-nos fazer o pagamento total desse valor no final do mês e é isso que acabamos por fazer, não suportando custos sobre valor da compra.
  • Temos um cartão de crédito com um plafond de 1500€ e compramos um smartphone no valor de 300€. O cartão de crédito permite-nos fazer o pagamento total desse valor no final do mês, mas por não dar jeito pagar esse valor na altura decidimos adiar o pagamento para o próximo mês. Nessa altura iremos pagar além dos 300€ um valor respeitante aos juros que resultam da taxa de juros que foi contratada no cartão de crédito.
  • Temos um cartão de crédito com um plafond de 1500€ e compramos um smartphone no valor de 300€. O cartão de crédito permite-nos fazer o pagamento fraccionado por exemplo em 3 meses sem juros. Iríamos pagar 100€ por mês durante os próximos 3 meses, não suportando encargos adicionais sobre a compra. Se por ventura tivéssemos optado por fazer o pagamento em 6 vezes, ainda que com juros, iríamos pagar os 300€ mais o valor dos juros em 6 prestações.

 

Estes são apenas alguns exemplos das modalidades de pagamento que as diferentes instituições bancárias ou financeiras disponibilizam aos seus clientes. Muitas mais existem e merecem ser verificadas quando pensamos em subscrever um cartão de crédito. A possibilidade de pagamento na totalidade no final do mês sem juros é algo fundamental para que não existam sempre encargos adicionais quando utilizamos o cartão de crédito. A possibilidade de pagamentos fraccionados sem juros ou a taxas mais baixas já é algo depende muito de banco para banco.

taxa de juros associada ao cartão de crédito também tem de ser obviamente alvo de análise. Aqui, de grosso modo, a regra é simples: quanto mais baixa a taxa de juros, melhor. O valor da taxa influencia de forma directa o valor total da compra quando esta é feita a crédito suportando juros.

Um outro factor bastante importante a ter em conta é a anuidade do cartão, que é nada mais nada menos que um valor fixo que se paga por ano independentemente da utilização ou não do cartão de crédito. Este valor pode variar muito consoante o cartão contratado, e existem até cartões sem anuidade.

Estes são os três principais aspectos a ter em conta quando subscrevemos um cartão de crédito. Podem ainda existir outros, sendo cada caso um caso e o que é mais apropriado para uma pessoa pode não o ser para outra. É consoante uma análise cuidada que devemos optar por determinado produto.

Herói ou Vilão?

A forma como vemos um cartão de crédito poderá ter muito a ver com a informação acerca do mesmo ou com a forma como o utilizamos.

De grosso modo é visto como algo muito negativo por pessoas que não conseguem compreender ao certo o total funcionamento do produto. Nem sempre é claro para todos o funcionamento de como é cobrado o serviço ou como são calculados os juros, isso leva a que se vá criando uma imagem negativa. Além disso o recurso ao crédito seja ele por via de um cartão ou por via de um outro produto é sempre algo que merece atenção redobrada para que não se entre em incumprimento mais tarde. “Sempre um passo à medida da perna.”

Se soubermos como utilizar um cartão de crédito correctamente e tivermos disciplina este torna-se uma ferramenta financeira bastante útil. A principal vantagem prende-se com o aumento da disponibilidade financeira, por outras palavras, permite-nos pagar/comprar sem dinheiro que dispomos de momento, o que se for utilizado de forma responsável é muito útil. Imagine a necessidade de uma compra de urgência de um valor mais elevado como por exemplo um computador portátil (600€) para o seu filho que acaba de entrar na universidade. Esse valor pode fazer toda a diferença no equilíbrio das contas lá de casa, mas se for pago de forma fraccionada, ainda que pagando juros, pode ser uma despesa diluída não assumindo uma percentagem muito elevada no orçamento mensal. Esta é a principal funcionalidade deste produto financeiro.

Como forma de atrair clientes os bancos e instituições financeiras vão desenvolvendo produtos com diferentes características e funcionalidades como por exemplo o cashback, que permite até poupar centenas de euros por ano com a sua utilização. Os cartões de crédito que disponibilizam cashback “devolvem” uma percentagem do valor gasto em compras durante o mês. Imaginemos que pagou um total de 200€ e o seu cartões tem um cashback de 3%, irá receber 6€. Resumidamente esta funcionalidade iria permitir uma poupança de 3% de todas as despesas pagas com o cartão. Ainda que existam algumas limitações, como por exemplo um limite máximo do valor a receber, quando utilizado de forma inteligente e utilizando métodos de pagamento sem juros os cartões que disponibilizam esta funcionalidade apresentam uma mais valia relevante.

Posto isto o cartão de crédito pode assumir quer o papel de vilão sendo algo complicado de usar ou até mesmo uma forma de gastar mais dinheiro com que devíamos, quer o papel de herói permitindo uma melhor liquidez no nosso dia a dia ou até mesmo poupar muitos euros com a sua utilização de forma inteligente. Cabe a cada um de nós escolher qual o papel que este assume nas nossas vidas.