Raize: 1 ano depois!

Raize: 1 ano depois!

12 Fevereiro, 2020 0 Por O Tostão

Antes de mais, o que é a Raize?

A Raize é uma fintech nacional que de uma forma muito resumida possibilita que pequenos investidores privados emprestem capital a pequenas e médias empresas. Na procura incessante de alternativas viáveis de investimento, decidi há cerca de um ano experimentar esta plataforma portuguesa de investimento.

Todo o processo é bastante simples e sem burocracia para nós. Basta abrir conta no site (fica aqui o link de afiliado que se abrirem conta pelo mesmo eu ganho uma pequena fortuna) e depositar o valor que estamos dispostos a investir. Os depósitos podem ser feitos por referência multibanco, tendo um custo de 1€, ou por transferência bancário de forma gratuita. Após isso, basta-nos fazer a verificação dos documentos pessoais para que a conta fiquei completamente validada.

Atualmente a Raize disponibiliza também depósitos a prazo, mas na minha opinião não são uma opção a considerar pelas baixas taxas de rentabilidade apresentadas.

estratégia de investimento

A minha estratégia:

A Raize é atualmente uma empresa cotada em bolsa, e como tal está sujeita a várias obrigações legais que me transmitem alguma segurança. Além disso os dados revelados pela empresa assim como a ideia em si, deram-me a segurança necessária para experimentar a plataforma e tirar assim as minhas conclusões.

Atualmente apenas é possível subscrever empréstimos de forma automática através de um mecanismo que a Raize chama de “tracker”. Isto acontece porque o volume de capital de novos empréstimos é muito inferior ao capital disponibilizado pelos investidores, assim, este mecanismo rateia os valor dos novos empréstimos por os utilizadores que tenham o “tracker” ativo.

Posto isto, vi que não é necessário depositar muito capital de uma só vez, uma vez que o mesmo apenas vai sendo aplicado aos poucos. Fiz pequenos depósitos a rondar os 25€ a cada 15 dias, e o capital ia sendo correspondido e aplicado. Aqui é fundamental que os depósitos sejam feitos por transferência bancária para que não existam custos, caso contrário, e pagando 1€ pelo depósito por referência bancária, estamos a “derreter” de forma bastante considerável a nossa taxa de rentabilidade. (Se depositarmos 100€ em 4 vezes pagamos 4€ em comissões, o que equivale a 4%!!!)

Existe ainda um mercado de cessões que nada mais é do que posições que outros investidores decidiram ceder, por as mais diversas razões, e cumprindo uma série de condições. Decidi não adquirir participações neste mercado pela simples razão de os dois principais motivos que levam os investidores a ceder as mesmas serem ou a baixa taxa de juro paga pelo mesmo, ou a fraca solidez apresentada pela empresa devedora. Na minha perspectiva isso era um incremento do risco assumido que não valia a pena.

Fui investindo pequenas quantias até acumular o valor de 200€, valor que considerei suficiente para ter uma amostra relevante de dados acerca da plataforma.

1 ano depois:

Após um ano e 200€ investidos na Raize o panorama é o apresentado na imagem abaixo.

Contas redondas, a minha carteira de investimento na Raize vale hoje 207.27€. Esse valor seria o que iria ter disponível se vendesse no mercado secundário de cessões todas as minhas participações em empréstimos. Ainda contas redondas e um ano depois, a carteira apresenta um lucro liquido de 7.27€, o que representa uma valorização superior a 3,5%.

Para muitos os 3,5% representam um valor quase insignificante e demasiado baixo, no entanto considero este valor bastante aceitável tendo em conta as taxas de juros e de rentabilidade oferecidas por produtos tradicionais alternativos.

Considerar esta taxa de rentabilidade como aceitável ou não, tratar-se-á sempre de compreender e aceitar ou não os riscos que este produto financeiro acarreta. Pessoalmente considero atualmente o risco baixo e aceitável para este produto, e acho que é uma opção válida.

Como disse acima, tudo isto são contas redondas, e numa análise mais cuidada dos resultados, é possível apurar valores ainda mais favoráveis para este investimento. A título de exemplo os 3,5% de valorização é um valor apurado considerando os nossos 200€ foram totalmente aplicados no início do ensaio, o que na verdade não aconteceu.

O que vi sobre a Raize pela internet:

Ao longo deste ano fui acompanhando algumas comunidades de utilizadores da Raize nas redes sociais e tentando também conhecer a percepção dos investidores acerca da mesma.

De uma forma geral uma grande maioria dos utilizadores da Raize que fui lendo são pessoas que estavam pela primeira vez a fazer investimentos desta natureza. Trata-se de o descobrir de um mundo novo e cheio de coisas boas. O interesse começa a crescer e procuram mais conhecimentos, e aos poucos vão descobrindo novas alternativas.

Após este início quase romântico começa a ser revelada a realidade e surge o primeiro crédito em atraso, os primeiros dissabores para com a plataforma, e começamos até a ver que existem produtos do mesmo gênero que anunciam taxas de rentabilidade mais elevadas.

Posto isto, a ideia que tenho acerca da percepção da Raize pelos utilizadores atualmente é que as taxas de juros dos empréstimos são demasiado baixas, que a empresa não é muito ativa na gestão dos empréstimos em atraso, e que as plataformas internacionais concorrentes são uma melhor opção.

poupar e investir

A minha opinião em relação a estes aspectos é que efetivamente as taxas de juros praticadas tem vindo a descer, no entanto isso deve-se principalmente ao facto das taxas de juros praticadas atualmente serem baixas em todo o mercado e a ainda ao facto da elevada procura por parte dos investidores e capital por corresponder existente na Raize. No que toca à passividade da empresa nos processos de recuperação de valores em atraso não tenho considerações por não ter conhecimento concreto do processo em si. Em relação às plataformas internacionais alternativas, as taxas de juros praticadas são efetivamente muito superiores, no entanto a minha percepção do risco associado às mesmas é que o mesmo é também muito superior, podendo por exemplo serem usadas também fazendo parte de uma estratégia de diversificação, algo que irei falar num outro artigo.